A espera da reciprocidade cansou. O travesseiro pesou.



Noite passada
Dormi meio mal
Amanheceu
Esperei que “uau!”, aquele mal tivesse ido
Não deu
Acordei numa angústia e tal

Esperei que as pessoas tivessem tido
Um destemido grito de reciprocidade
Mas o lote estava vencido
Não importava a idade ou a saudade
A validade tinha acabado
Minha paciência já tinha dado!

Me doei, cansei
Sustentei, amei
Mas então lembrei
Que o tempo é rei

Que as pessoas são falhas
Mas que a pior falha
É a navalha da espera
Quem dera!

A espera falha era
Quem espera também era
Quem espera também erra

Noite passada não dormi meio mal
Pois dormir não é o mal afinal
Noite passada
Me deitei meio mal

Minha cabeça no travesseiro pesou
O lençol me embolou
E a cama me agarrou

Quem sabe amanhã eu não sou
Alguém
Que não esperou e não espera nada
Nem de mim
Nem de ninguém.

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