Poesia da opressão

Saímos na rua
Somos expostas
Saímos na rua
Estamos expostas

Saímos na rua
Ou num açougue?
Somos um corpo
Ou somos carne?

Estamos expostas
Menos roupa, mais vulgar
Mais roupa, mais santa

Somos expostas
Como um pedaço de carne
Prontas para serem escolhidas, compradas e vendidas

Prontas para o abate
Estamos no ponto para comer
Ou você vai até o ponto para se satisfazer?

Feitas para sermos escravos de Jó
Um pó para cada mente doentia e só
Tira, bota
Mas jamais deixa ficar

Compradas como escravas
O passado nem um pouco são
O presente, continua na escravidão

Estamos na rua ou num açougue?
Somos mulheres ou pedaços de carnes ambulantes?

Elegante é não rotular
Quem sabe de si
Sabe que o outro não é diferente de ti
Sabe o segredo de respeitar

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