Adeus.



Você ainda fazia morada nessa kitnet barata do me coração.
Meus versos baratos e aluguel extremamente desvalorizado não foram suficientes para te manter como inquilina. Há um quarto vago por aqui.

Nutri até ontem esperanças de um possível retorno e deixei as coisas do jeito que estavam, mesmo com seus atos de vandalismo recheados de inverdades pichadas nas paredes do meu interior. Queria que você pelo menos as limpasse antes de ir embora.

Esperei até onde deu por essa sua reforma que não apareceu, e chegou na hora de jogar uma nova tinta nessas paredes e arrumar essa kitnet barata para uma nova inquilina.
Meu aluguel continua o mesmo, barateado em relação a bolsa de valores e desvalorizado perante quem vê o quarto somente por fora. Por dentro a coisa é mais aconchegante e quem entrou, sempre levou algo daqui pra se lembrar (se misturar).

Em todo caso, adeus.
Aguardei por essa reforma revista em contrato, porém seu maior vandalismo foi deixar a porta aberta ao sair, me fazendo pensar que iria voltar ao menos para dizer estou indo de verdade, adeus.

No próximo coração que você fizer morada (se é que haverá algum tão barato quanto esse), saiba se retirar, pois senão todas as portas irão se fechar pra você, assim como essa aqui, que te escreve.

Share:

0 comentários