Insatisfação



Já perceberam que a insatisfação move o mundo atual?

Muitos famosos postam fotos de viagens com um cenário incrível em lugares exóticos nas redes sociais, check-ins em restaurantes caríssimos frequentados apenas pela alta sociedade, vídeos fazendo yoga...
E em tantas outras situações que provocam inveja em pessoas comuns, que trabalham 8 horas por dia, que chegam cansadas do trabalho, que por vezes chegam tarde em casa e ainda precisam oferecer atenção ao marido e filhos, cozinhar, se preparar para o dia seguinte...

Pessoas como eu e você, que vivem longe dos holofotes geralmente tendem a querer sustentar uma imagem parecida com a de muitos artistas, pois a realidade deles é tida como mais próxima da tal felicidade do que a nossa.

"A motivação errada tem o poder de envenenar uma ação."

Desde que ouvi essa frase de um pastor recentemente, comecei a pensar sobre ela e vi que se aplica em tudo que vamos fazer. Entendi que existem dois tipos de insatisfação: a saudável e a prejudicial. Até mesmo na ação de comprar um carro, por exemplo. O motivo pelo qual esse carro foi comprado dirá se a insatisfação do comprador foi saudável ou não. Se ele tiver trocado de carro com o intuito de impressionar as pessoas que o cercam e se ele fez um mar de dívidas para apenas poder desfilar com um "carrão do ano", já identificamos que a insatisfação dele foi prejudicial.

No entanto, se ele tiver planejado comprar o carro com antecedência, se já tiver dinheiro para arcar com possíveis imprevistos, se estiver comprando por necessidade, para uma realização pessoal, uma conquista, se foi por ele e não para impressionar os outros, aí se trata de uma insatisfação positiva. Uma pessoa que vive mudando de emprego, de namorado, de casa, de carro, talvez não seja um ambicioso, mas alguém que vive para impressionar os outros. Provavelmente é alguém que apoia a própria identidade naqueles que possuem uma realidade diferente da dele e que não consegue se ver por um longo período de tempo na mesma situação quando as tendências da atualidade mudam.

A insatisfação prejudicial tem a ver com identidade, aceitação e felicidade. Precisamos entender que podemos sim modificar nosso estado atual, dar uma guinada, crescer na vida, conquistar... Mas que devemos fazer isso por nossa própria causa, por realização própria e não para provar algo aos outros.
Não é porque o vizinho comprou um carro novo que eu preciso me afundar em dívidas para superá-lo com um carro ainda melhor. Não é porque minha amiga comprou uma casa própria que eu preciso me afundar em dívidas para comprar uma casa ainda melhor. Não é porque a Gisele Bundchen é magra e loira que eu preciso emagrecer e tingir meus cabelos para ser vista como bela também. Tudo é preciso ser feito em prol de nós mesmos. Nós somos o nosso próprio sol, não as outras pessoas. 

Sejamos como o planeta Terra em rotação e giremos em torno de nós mesmos. Ganharemos bem mais assim, sabe por quê? Porque ganharemos felicidade ao invés de status. E esse é o salário mais compensador e libertador que pode existir.

"Eu também descobri por que as pessoas se esforçam tanto para ter sucesso no seu trabalho: é porque elas querem ser mais que os outros. Mas tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento. Dizem que só mesmo um louco chegaria ao ponto de cruzar os braços e passar fome até morrer. Pode ser. Mas é melhor ter pouco numa das mãos, com paz de espírito, do que estar sempre com as duas mãos cheias de trabalho, tentando pegar o vento." (SALOMÃO, ano 931 a.C., capítulo 4º, versos do 4º ao 6º do livro de Eclesiastes, Bíblia Sagrada)

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