Reconstruindo laços





     Este é um daqueles textos que quem mais precisa ler, na verdade, é próprio autor.

     Este é mais um daqueles textos que não é bem um texto, e sim um grito da alma posto em palavras, separado em parágrafos, espaçamentos e seguindo um amontoado de regras gramaticais.

     Quem nunca discutiu com um amigo, se desentendeu, ouviu uma palavra que não gostou muito, ficou meio balançado, chocado e até mesmo decepcionado com alguém? Acho que todo mundo, não é mesmo? Então pode ler, que este texto é para nós.

     É muito difícil receber um baque de quem menos esperávamos, mas é mais difícil ainda ver o que a relação se tornou depois disso. Dói demais ver como uma amizade pode mudar da água para o vinho por causa de palavras mal colocadas e desconectas. Dói ver como uma pequena eventualidade pode comprometer todo um relacionamento. Mas dói mais ainda saber que somos humanos, falhos, imperfeitos e que nunca, eu repito, nunca, estaremos totalmente livres de sofrer tal dor.

     Somos humanos errantes a todo instante. Essa é uma condição aceitável. Mas não podemos permitir que essa condição crie outras condições prejudicais a nós mesmos. Não podemos viver errando com a desculpa de que somos humanos e ficar tudo por isso mesmo. Pelo contrário, devemos ter a consciência de que somos falhos e que precisamos viver em constante processo de conserto. Sem dificuldade de pedir perdão. Sem dificuldade de ceder. Sem dificuldade de se redimir. Sem dificuldade de se ver como o errado(a) da história.

     Mas e quando nos sentimos injustiçados? Aí fica difícil, não é mesmo? Mas veja bem: uma discussão – e não estou falando de um debate saudável, estou falando de intrigas – é uma guerra. E em uma guerra não se tem um lado certo ou um lado errado, tem-se apenas dois lados trocando tiros, espadadas ou o que for. Quem é o certo no final? Aquele que bateu mais? Não faz sentido. Deveria existir alguém com a razão, certo? Mas esse alguém não existe.

     Entre uma espadada e outra a razão se perde. Entre um tiro e outro a razão se perde. Entre um soco e outro a razão se perde. Entre uma ofensa e outra a razão se perde. No fim, a razão sempre se perde. E se não há razão, não existe alguém certo. O que existe são apenas dois indivíduos que erraram um com o outro debatendo quem é o menos sujo e porquê. Essa luta faz algum sentido para você? Para mim também não.

     Todos os seres humanos, no fundo – alguns mais fundo do que outros – sabem de tudo isso. No entanto, não praticam tal conhecimento quando chega a hora de aplicar, e sabe por quê? Porque um dos milhares erros das pessoas é só enxergar aquilo que elas querem ver. Essa cegueira dilacera não somente os laços que elas têm umas com as outras, mas as mata sem que elas percebam.


        E as piores armadilhas da vida acontecem assim: sem que a gente perceba.


     Num piscar de olhos, nos vemos em uma atmosfera totalmente diferente, amizades desfeitas, um clima diferenciado entre pessoas que já foram nossas confidentes... E em meio a esses relacionamentos modificados (para pior) nos perguntamos "onde foi que eu errei?" 
E quando enfim descobrimos onde erramos, já estamos atrasados e o que mais temíamos aconteceu: feridas no nosso coração e no coração do outro.

     Eu não sou a melhor pessoa para aconselhar como proceder nessa situação, afinal, sou um ser humano falho e errante também. Eu posso ter escrito este texto hoje e amanhã fazer o oposto de tudo o que eu falei. Mas uma coisa aprendi e aprendi da pior forma: não fale/aja sem pensar e não demore a pedir perdão/perdoar. Sim, só isso pode abreviar o sofrimento de toda uma vida, para apenas um dia em que eu estava de cabeça quente e errei, mas que consertei tudo ali mesmo. 

     Não empurre a situação com a barriga. Não guarde sentimentos ruins, não guarde mágoas, não adie mais aquele pedido de desculpas que deveria ter sido feito logo no segundo após a ofensa.

     A teoria é muito bonita, não é mesmo? Sabemos e reconhecemos isso tudo como o certo a se fazer, mas por que não fazemos? Foi o que eu disse: hoje eu escrevi tudo isso e amanhã posso fazer o oposto. Não prometo não falhar, pois estou inevitavelmente programada a isso. Mas prometo não tardar para liberar o perdão, o amor, a redenção, o afeto, o carinho, o renovo, o abraço...

                           Sei que o erro depende de mim. E o acerto também.



“Pois eu sei que aquilo que é bom não vive em mim, isto é, na minha natureza humana. Porque, mesmo tendo em mim a vontade de fazer o bem, eu não consigo fazê-lo. Pois não faço o bem que quero, mas justamente o mal que eu não quero fazer é esse que eu faço.” (Apóstolo Paulo, Livro de Romanos capítulo 7, versículo 18-19, Bíblia Sagrada, ano 56 d.C.)


Por: Brígida Gabriela

Share:

0 comentários