Precisamos falar sobre perdas

Recentemente, uma situação que uma amiga vivenciou me chamou a atenção. Ela foi assaltada duas vezes na mesma semana. Na primeira vez, levaram o smartphone dela. Na segunda, ela já tinha ido preparada. Estava andando com um celular que não funcionava mais, só para que se o episódio se repetisse, ela tivesse o que entregar.

Isso soa tão normal e tão surreal simultaneamente. Vivemos em uma sociedade que nos obriga a andar preparados para perder. Uma sociedade que alimenta em nós uma desconfiança de tudo e para com todos. Uma sociedade que nos faz andar atônitos e ao mesmo tempo acostumados com a perplexidade.

Já pararam para pensar que ao mesmo tempo que a sociedade nos prepara diariamente, a força ou não, para perder, nunca estamos preparados?

Quando perdemos algo é como se o valor daquilo aumentasse. Quanto mais distante e inatingível algo se torna para nós, mais reconhecemos o valor que aquilo tinha.

E o material tem influenciado no emocional.

Essa rotina de perdas materiais tem influenciado diretamente em nossa vida, em nossas emoções, nossas amizades e relacionamentos. Muitas são as vezes que preferimos não mergulhar de cabeça em algo ou alguém por medo da perda. Por desconfiança de que aquilo de uma hora para outra possa acabar.

Não nos permitimos amar por completo e nos doar por completo. Deixando de cumprir plenamente a missão mais bela que nos foi dada aqui na Terra: amar ao próximo como a nós mesmos.

E a maior comprovação dessa analogia é a frieza humana que tem se espalhado por toda a Terra. Violência paga com violência. Ódio pago com ódio. Ofensas pagas com ofensas. Xingamentos pagos com xingamentos... Ah, como somos frágeis!

Vivemos à procura do amor, o procuramos em cada esquina. No entanto, na primeira oportunidade de amar o outro, preferimos oferecer o ódio. Fazemos isso como um escudo de proteção contra decepções. Por medo. Porque por mais que não admitamos com tanta facilidade, no fundo, não passamos de uma aglomeração de medrosos tentando disfarçar aquilo que já está estampado na face, no coração e na alma.

Que não permitamos que perdas tirem nossa sensibilidade para amar, cuidar e se entregar ao outro.  Enquanto o planeta não parar de girar, tudo pode mudar. Tudo é ciclo e tudo é recomeço.

Re-começar. Re-amar.


"E sobretudo deixem que toda a vossa vida seja dirigida pelo amor, que é a força capaz de nos unir ao caminho da perfeição." (Colossenses 3, 14)



Brígida Gabriela

Share:

0 comentários