Quando alguém novo chega



Acredito que todos, após o término de um longo relacionamento possuem um tempo de fossa. Um tempo em que nos encontramos no fundo do poço.

Nesse meio tempo, bate tudo.
Bate saudade, bate a cabeça, bate a música que vocês escutavam, bate o modo como vocês davam a mão, bate a fantasia de voltar, bate nostalgia, bate tristeza. Só não bate o óbvio: as vezes simplesmente não tem mais volta.

Esse tempo é um tempo de extrema escuridão, face a face com o medo da solidão. Cara a cara com alguns medos bem reais.
Rola quase um cosplay de Bruce Wayne antes de virar o Batman. Dor e sofrimento envolvidos em um momento que parece durar uma eternidade, pois afinal, você se pega todos os dias lembrando daquele fantasma que você sabe que não existe mais.

Isso até que alguém novo chega.

O inverno acaba e a primavera chega.
Não tô falando de estação não. 
Tô falando dos climas que esfriam e aquecem nosso coração.
Afinal, gente nova não escolhe estação pra aparecer, só aparece.
Nada dói mais.
Todas as tristezas viram figurinhas repetidas.

Figurinhas repetidas damos logo um jeito de trocar por novas.
Álbum meu se preenche com diversidade.
Não de pessoas, mas de momentos.

E é por isso que me sinto tão bem quando alguém novo chega.
Porque no fundo, muda tudo. 
Muda abraço, muda o jeito de pegar na mão, muda o jeito de ouvir e de falar. Muda até o álbum. Algumas coisas não devem se misturar.
Com alguém novo, até a gente aprende a amar de novo.


Lucas Iensen

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