A vida em segundo plano.


Quantas vezes nos vemos sufocados em meio a tantas tarefas e deixamos o essencial de lado? 

Quantas vezes temos a sensação de estar fazendo mil coisas ao mesmo tempo e na verdade não estar fazendo nada? 

Pois é, é sobre isto que iremos falar hoje: prioridades, responsabilidades e o que realmente é essencial. 

Ultimamente, eu me vi completamente tomada pelos estudos, faculdade, cursos, blogs para os quais escrevo... Sinto que estava deixando o essencial de lado. Não estava sendo quem eu queria ser. 

Às vezes é importante fazermos uma auto análise e pensar "Se eu fosse minha mãe, eu gostaria de ter uma filha como eu? Se eu fosse alguma amiga minha, eu gostaria de ter uma amiga como eu? Se eu fosse a minha professora, eu gostaria de ter uma aluna como eu?", e em um belo dia eu percebi que todas as minhas respostas para essas perguntas eram "não". 

Foi aí que eu vi que algo precisava mudar. Que eu precisava mudar. Quanta gente eu estava magoando a troco de nada. Trabalho, faculdade, blogs... O que no final realmente vai importar? A quantos eu deixei de oferecer uma palavra amiga, uma palavra de ânimo, de força e de fé, para fazer tarefas que no final não importarão. Eu não estou querendo dizer que meu trabalho e estudo não são importantes. Só estou tentando dizer que essas coisas são passageiras e que um abraço e uma mensagem pode mudar o dia de alguém, ou melhor, pode mudar a VIDA de alguém que esteja em frangalhos emocionalmente esperando qualquer palavra que lhe renove o fôlego. 

O que mais vemos são pessoas carentes de várias coisas. Seja de amizades, seja de um abraço, seja de uma palavra, seja de um sorriso... e eu lembro a época em que eu não conseguia ver alguém assim e não parar, não conversar, não abraçar e não dedicar total atenção a ela. Por que eu perdi isso? Por que eu perdi a minha sensibilidade para com o próximo se isso é justamente o que dá sentido às nossas vidas aqui na Terra? 

Eu não posso aceitar que tarefas, obrigações e responsabilidades cotidianas me deixem cega para tudo o que de fato é essencial. 

Quando eu morrer e descer à sepultura, eu não vou levar títulos, não vou levar trabalhos feitos ou pendentes, não vou levar compromissos e nem metas que consegui atingir. Mas nessa hora aquele abraço que eu dei, aquela mensagem que eu enviei ou falei, aquela oração que fiz... ISSO sim vai contar. 

Eu não quero ser aquela que daqui alguns anos vai se lamentar pela mensagem não enviada. Eu não quero ser aquela que vai lamentar ao ver a vida de alguém tomando rumos errados e pensar "um dia eu tive a oportunidade de ajudar a evitar tudo isso na vida dele (a) mas estava muito ocupada e tão cheia de mim que não aproveitei aquela chance." Eu definitivamente não quero ser esse alguém que vive no automático e que apenas acompanha uma massa padronizada sem fazer a mínima diferença em meio à multidão. 

Eu quero espalhar o brilho e o amor que um dia recebi de alguém que primeiro me amou. E eu quero que vejam Ele em mim e que sintam-se acolhidos por essa atmosfera de paz, amor e perdão. Redenção. 

Eu quero que entendam que lar não é um lugar, mas alguém. 

Existe uma filosofia de Heráclito que diz que quando entramos pela segunda vez em um rio, nem o rio e nem nós somos os mesmos. E de fato me vejo em constante mudança, em constante evolução de mim mesma. Hoje sinto que vendas foram retiradas dos meus olhos e agora posso enxergar que eu, na verdade, estava "plantando vento para no final colher uma grandiosa tempestade", que mexeria não somente comigo, mas que influenciaria diretamente na vida de outras pessoas também. 

Quantas palavras também deixei de ouvir nesse período. Como perdi  momentos maravilhosos pela má organização do meu tempo, pelo meu sufocamento em tarefas... No entanto, decidi que tudo será diferente. 

Apresento-lhes uma nova eu. Uma pessoa que entendeu que no final da vida o seu trabalho e os títulos que tem pendurado na parede serão fichinha perto das vidas que foram tocadas através da própria vida. Uma pessoa que entendeu que pode ser mais que apenas uma matrícula em uma faculdade ou em uma empresa. Uma pessoa que entendeu que pode ser o lar de alguém. 

"Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas." (Cora Coralina) 

Brígida Gabriela

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