Geração contatinho



Eu não consigo entender essa "geração contatinho". É um amor aqui, outro ali e mais algum acolá. É a geração dos que fingem não se importar. Dos que competem para ver quem sente menos. Celular cheio de mensagens rasas. Beleza virou a maior qualidade do mundo e sentimento virou coisa de gente fraca. Geração "oi, sumido".
Incontáveis vezes já me senti velha e deslocada nessa geração em que tudo é vazio. São festas cheias, copos cheios e corações ocos. Preenchidos por gente vazia. 
Entendo que nem todo mundo é intenso como eu, mas o vazio me causa náuseas. Eu gosto de ligação inesperada, de sentar na grama para conversar no fim de tarde e de bilhetinho deixado no meio do caderno. Não faz sentido para mim, calcular o grau de interesse de alguém pelo tempo que ela demora para responder uma mensagem. Se importar é mais do que responder no mesmo minuto. A "geração contatinho" quer saber de quantidade, não qualidade. Já eu, não vejo motivos em viver algo que não vá me agregar em nada. Porque eu acredito, sinceramente, que ser mais um na vida de alguém não soma. Em nenhum dos lados. Não faz sentido para mim tentar aquecer o coração com esse amontoado de gente fria. 
Aquecer o coração é ter alguém que te cuide de verdade e que não viva só de aparências. É ter com quem contar para curtir a festa de sexta e ver um filme no domingo. Quem te acrescenta mesmo é aquela pessoa que fala quando está magoada e não aquela que simplesmente faz a linha do "tô nem aí" e parte para o próximo contatinho. O medo impede as pessoas de crescerem e eu acredito que essa geração seja tão vazia por ser covarde. Tudo é motivo para ser "trouxa". Quando na verdade, ser trouxa é ter medo de viver. Deixar passar experiências incríveis por medo do que os outros vão pensar. 
Não sei vocês, mas eu tenho medo mesmo é de congelar. De conhecer várias pessoas e mesmo assim me sentir sozinha. Porque para mim, o que aquece o coração é o amor. E ele parece ter se perdido nessa "geração contatinho".

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