Nós somos feitos de nós.


Quem nunca começou a pensar em um determinado assunto e, subitamente, se viu em uma esfera totalmente diferente de pensamento? 

Quem nunca começou falando sobre o assunto X e em questão de segundos foi parar em um assunto Y, e no final pensou consigo mesmo "como eu cheguei até aqui?" ou "mas sobre o que eu estava falando mesmo, hein?"

Isso acontece por causa de um fato bem simples: somos feitos de nós. 

É como se um fio rompido encostasse em outro, transferindo uma energia que criasse uma conexão e fizesse com que demasiadas outras conexões viessem a existir. E para entender o funcionamento do nosso cérebro e pensamentos, precisamos imaginar este fato acontecendo milhões de vezes em questão de segundos. 

E enquanto todas essas conexões são feitas, quase que gerando um curto circuito (que as vezes é inevitável, porém normal), tem um órgão além do cérebro que sofre com tudo isso: o coração. 

No caso do coração, vivemos como se um fio desencapado, ainda energizado, insistisse em querer atormentar. Ele não serve mais, está sem funcionamento algum e não podemos aproveitá-lo. Mas ele está ali. Ele insiste em estar ali. E fica atormentando, nos fazendo lembrar daquilo que, na verdade, precisávamos esquecer. 

As vezes, parece ser impossível esquecer determinados episódios da vida, pois os nós insistem em se embaralhar entre si, formando um nó ainda maior. E aí, nos vemos totalmente alimentados pelas lembranças, pelo passado e pela dor que dói novamente e ainda mais forte. 

O que seria isso? Um processo de autoflagelação mental do qual não conseguimos sair? Será que realmente achamos que merecemos sentir e pensar isso tudo? 

É nesse estágio onde mora o perigo e é exatamente neste ponto que começamos a viver em prol do passado, fazendo sempre alusões a ele. Se estamos pensando no presente, fazemos comparações dele com o passado. Se pensamos no futuro, arrumamos alguma forma de inserir o passado nele. 

E nessa história, o hoje, o agora e o presente acabam ficando para trás. O presente é de fato um presente que nos foi dado. Ainda temos tempo de manuseá-lo da melhor forma, para ele não se tornar um nó ruim de desembolar no futuro. 

Nós somos feitos de nós, tantos deles que parece que, para sempre estaremos amarrados a todas essas lembranças e pessoas que deveríamos deixar ir, assim como o tempo se foi. Parece que, para sempre vamos andar com esse fardo nas costas. 

Mas quer saber? Não precisamos disso. Somos feitos de nós, mas também somos feitos de força, de regeneração, de amor, de ânimo, de fé, de sorrisos e isso deve estar destacado em uma importância bem maior que os muitos nós que nos prendem. 

E quando a gente menos esperar, o nó terá se desfeito e se mostrará uma longa e imensa linha. Tal linha que, quando esticada nos guiará indicando um caminho, um novo rumo, e aí entraremos em nova dimensão do viver. 

Viver. Sobre-viver. 

"E sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele depende tudo na vida." (Provérbios 4, 23)

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