O amor vem para os distraídos



Tenho uma seguinte convicção: quanto mais focamos em alguma coisa, parece que mais lentamente ela acontece.

Talvez isso seja pelo fato de a espera se tornar um castigo para o qual não estamos preparados para pagar.
Porém, levando isso em conta, digo e repito: o amor vem para os distraídos.

Porque o amor, diferentemente das outras coisas que procuramos e achamos, é algo nobre.
É algo surreal que não se pode comprar com um cheque e nem ser criado como um roteiro de filme.
Os roteiros são criados a partir do amor, e não o contrário.

Obviamente, há maneiras de se enganar.
Criar um crush aqui, outro ali, e outro lá. Começar a sair para bares e baladas e torcer para o amor da sua vida esbarrar em você. Pedir para amigos te apresentarem pessoas. Baixar o Tinder. Adicionar pessoas aleatórias e torcer para que elas acreditem no acaso tanto quanto você.

O fato é que, não adianta se enganar.
Para amar, é preciso se fazer de enganado. Jogar com o acaso, mas sem contar isso ao destino. É agarrar oportunidades únicas e também saber reconhecer quando há uma oportunidade.

Engane-se a si mesmo.
Diga que não procura alguém e esse alguém vai aparecer. Afinal, amor é para os distraídos.
É para quem anda esbarrando em pessoas sem querer, e para quem toma cafés solitários em confeitarias elegantes.
É para quem vive a vida independente, feliz, completo.

Quem procura amor, está procurando quem o complete.

Porém, o amor é para quem já é completo.
Afinal, amar transborda.


Lucas Iensen

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