Quando abri a janela, bateu um vento forte.



Quando abri a janela, bateu um vento forte. Não sei dizer se fazia mais frio lá fora ou aqui dentro. E aqui dentro, digo no coração.
Eu, que por vezes me entreguei até o último fio de cabelo, também me despedacei como uma taça de vidro derrubada de uma mesa de bar. Chorei, bati pé e senti uma agonia percorrer cada terminação nervosa do meu corpo. Suspirei. 
Segundos depois, desabei na cama com o corpo mole, feito massa de modelar e semelhante ao desespero de uma criança que se vê perdida em meio à multidão.
Infelizmente quando crescemos, não tem palavra amiga no mundo que mande a dor para longe. Mesmo que, uma multidão esteja ao seu redor, ela continua te assustando como se você tivesse cinco anos. Porque, é uma multidão cheia de pessoas incrivelmente vazias. E ao me lembrar disso, novamente eu, que um dia pude ter a frieza de uma pedra de gelo, derreti. Senti o meu rosto afundando no travesseiro que, absorvia minhas lágrimas e depois as derramava. Os meus joelhos contraindo-se no peito, como se esmagá-lo pudesse fazer aquela dor passar. Vi minha parede de concreto ruir diante de meus olhos, sem nem sequer me dar ao trabalho de levantar a cabeça. Não podia e muito menos queria impedi-la de cair. Transbordei de lembranças e me desmanchei em saudades. Deixei se partirem os pedaços intactos que restavam de mim. 
Quando olhei pelo vão aberto da cortina, as nuvens refletiam a cor cinza que habitava aqui dentro. E novamente, eu vi tudo se desfazer diante de meus olhos. Olhei ao redor e senti a minha dor e a dor do mundo. Abracei o pior dos desesperos e me aconcheguei na cama, como se o meu corpo pudesse produzir anticorpos. E de novo, me vi em pedaços. Já era tarde da noite e tudo indicava o fim. Adormeci.

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