Sou louca mesmo. Doidinha de pedra.


Precisamos falar sobre a perfeição.
Inúmeras vezes desde que me conheço por gente, sonhei com um relacionamento perfeito. Daqueles clichês que a gente vê nos filmes, sabe? Já cheguei a cogitar a ideia de derrubar meus livros de propósito, só pra ver se o destino me jogava um príncipe encantado. Só me esqueci de que filmes duram apenas duas horas e que a vida é muito mais que isso. Sinceramente, perfeição é a coisa mais chata do mundo. Acabei descobrindo isso com o tempo. 
Como cobrar que alguém ande nos trilhos o tempo todo, se a gente vive pisando fora deles?
Já tive relacionamentos que eram aparentemente perfeitos e, quando resolvi terminar, minhas amigas me chamaram de louca. E se ser louca é viver intensamente, eu aceito tal condição. Sou louca mesmo, doidinha de pedra.
Jamais aceitaria viver algo que não me faz feliz só porque está cômodo. Conheço várias pessoas que são assim, que se der pra ir levando, tudo bem. E eu juro que não consigo entendê-las. A graça da vida está em se arriscar. Olhar pro penhasco e pensar que pular dali pode ser divertido (metaforicamente, por favor). Eu sou assim, intensa em qualquer área da minha vida. 
Posso conseguir o trabalho mais incrível do mundo e pedir demissão no outro dia, por achar que incrível não é o suficiente pra mim. Quero sempre mais.
Eu acredito, de verdade, que não existe graça nenhuma em se viver sem um friozinho na barriga. 
Se um dia eu encontrar meu príncipe encantado, vou rir na cara dele e dizer que conto de fadas é um saco. Porque é mesmo. Não quero saber de felizes para sempre. Aliás, esse tal para sempre nem existe. Eu quero ser feliz no meio disso tudo, nas aventuras e desventuras que estão aqui, agora. 
Se a gente deixa de viver intensamente, os anos passam e a gente nem vê. As coisas ficam apenas no papel. E quando a gente se dá conta, já passou. E já é tarde demais.
Eu quero olhar pra trás e perceber que eu vivi, que agarrei toda oportunidade que achasse valer a pena, mesmo que talvez não valesse tanto assim. No final, tudo vale a pena.
Eu sei que dá medo, mas a gente precisa se deixar levar pelos caminhos tortos. Afinal, você sabe, andar na linha é a coisa mais chata que existe.

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