O descartável não preenche espaços

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Não sou tradicionalista. 

Estamos no século 21 e é inevitável que nos sujeitemos (nem que por pouco tempo) aos relacionamentos descartáveis. Um beijo aqui, um envolvimento ali. Mais um ou dois beijos em outro canto. Desencanto.

Tudo ok. Não vejo problemas em se sujeitar à coisas descartáveis, afinal, elas são rápidas, instantâneas e cumprem seu papel. Podem ser reutilizadas algumas vezes, até chegar a um ponto em que DEU. São descartadas.

Nos relacionamentos, as coisas ocorrem da mesma forma. Você usa as pessoas (e elas usam você), até o momento em que cumprem seu papel funcional, preenchendo espaços por um curto espaço de tempo.
Depois de usar, jogamos fora.
E nesse caso eu penso, está tudo bem se você está ciente, afinal, é algo absolutamente normal.

O ponto que quero destacar é: relacionamentos descartáveis não preenchem espaços. 
Seja você de leão, de libra, de touro ou de qualquer outro signo do horóscopo: você deve saber que quando rola a tal da reciprocidade, o amor e o relacionamento se tornam intensos. Densos. Duas mentes em consenso, conseguem elevar o relacionamento para um outro status. 
É prazer, mas não só prazer.
É ouvir e ser ouvido. É nó. É nós.
É sentir-se cheio, transbordando como um armário cheio de canecas de diferentes estampas. Afinal, um relacionamento sério é uma coleção de novas lembranças que preenchem os espaços vagos da nossa memória.

Não sou contra os relacionamentos descartáveis. Porém, admito que eles são iguais aos copos de festas de aniversário. Copos descartáveis não ocupam espaços no armário. 

O resultado é o mesmo: coração e armário vazio.


Lucas Iensen

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