Para uma rosa, com amor




És uma flor
Uma rosa
Revestida de amor
De pétalas bem viscosas

Mas não és como as outras plantas
Até em meio à chuva
Tu danças
Como é doce a tua risada
Flor criança

Não és uma flor comum
E nisso não há mal algum
Pois tu te destacas
Entre as mais belas flores
E cresces até em vaso de latas

Tu sabes se adaptar
Ao ambiente que a vida lhe dá
Respiras e inspiras amor
Independente da umidade do ar

A vontade de respirar
Vem de dentro
E nada é capaz de te desanimar
O sol, a luz e a chuva
Para ti são só um adendo

Eu não sei por que hoje choras
Se a vida é feita de agoras
Ó bela rosa
Por que para sorrir tu te demoras?

A crueldade faz uma pétala sua cair
E fomenta em ti
O desejo de tudo desistir
Mas saiba que alguém
Em universo além
Estará juntando pétala por pétala
Sempre a te cingir

E um dia
De tanto levantar e cair
Tu aprenderás que o melhor a fazer
É sorrir

Sorrir independente do amanhã
Pois a tristeza é vã
Mas a alegria
Renova-se a cada manhã

E sorrindo verás
Tudo entrar nos eixos
E até os mais sombrios trechos
Verás que possuem jeito

Desta vida
Doce rosa
Tu não levarás nada
Nem tristeza nem alegria
Sairá com a mão atada
Sem nem mesmo a crueldade
Que o mundo cobria

E para os que ficam
Restará na memória
O teu sorriso
As lembranças
De seus dias de glória

Restará para eles
Lembranças das vezes
Que tu sorriu
E um jardim inteiro coloriu
Levarás e deixarás
Apenas as vezes que sorriu

Mesmo vendo teu forço
Não valer nem um pouco
Mesmo tendo no pescoço
Apontada uma navalha
Sem sombra de dias de glória
E na batalha
Sem alguma vitória

Por isso
Ó rosa
Peço-te que para sorrir
Não te demores
Pois na vida
Há muitos bosques
E essa lágrima que hoje te escorre
Amanhã regará cada vértebra
De sua raiz nobre

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