Quanto mais se é preso, mais livre se quer ser.


Relato de um jovem, diretamente da prisão.


Não tente me prender. Eu nasci para ser livre.
Não tente compreender minha liberdade. Ela nasceu para ser diferente da sua.
Não tente entender o conceito de certo e errado. O meu conceito, certamente, é diferente do seu. Pois, cada um decide o que é certo e errado, pelo que se vive. E cada um, vive da forma que se quer. 
Não tente me aprisionar no seu modo de viver. Eu vivo o meu próprio.
Quanto mais sou preso, mais livre quero ser.
Os crimes que cometi para estar nesta prisão não são de fato, crimes. Mas, para quem me prendeu, são. Novamente, repito: não tente entender o conceito de certo e errado.
Quanto mais me prendem, mais quero me livrar das correntes.
Acham que me acorrentam para o meu bem, mas, me acorrentam para minha própria rebeldia.
Ora, se eu respeito o seu pensamento, por que é que me prendes na falta de respeito do seu?
Nos foi dada a capacidade de escolha. Eu escolhi ser livre, mesmo na prisão. Afinal, vivo numa cela mesmo sem estar dentro da prisão.
A liberdade incomoda. Minha capacidade de escolher não querer viver o mesmo que você, incomoda.
Assim, como o gatilho de tua ignorância, minha arma continuará sendo a mesma: incomodar com minha luta pela liberdade.
Não me prenda, pois, eu vou me soltar. Da vida vou gostar. Vou correr, crescer e ser. Ser o que sonhei. E sonhei com o ato de viver.
Você acha que me prende. Mas, minha pena está chegando ao fim. É questão de tempo.
No momento, me entristeço. Mas, logo me alegrarei. Sei que o fim está próximo e o começo da vida, mais próximo ainda.
Já por você, eu lamento. Pois, enquanto eu viverei, você morrerá algemado na prisão de sua própria mente acorrentada. 
E em realidade, o preso aqui não sou eu. É você.

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