Mas como toda tempestade, um dia vai passar.


Eu me sentia apagada. Parecia que as palavras não faziam mais sentido na mente e que alguém havia colocado a mão pela minha garganta e arrancado meu coração de dentro do corpo. Alguém tinha dado um sopro tão forte que a chama que se mantinha acesa em meu interior, se apagou. E eu só conseguia olhar para meus próprios pés, sentada no chão do banheiro, e chorar. Me perguntava em que ponto da minha vida, eu havia permitido que minha essência se esvaísse e me transformasse em um livro com páginas em branco. Se é que isso pode ser chamado de livro. 
Eu, que sempre fui arco-íris, estava ficando em preto e branco.
Chovia lá fora, e aqui dentro também.
Cada lágrima que escorria parecia corroer por onde passava.
Eu não sabia como explicar, mas a dor era tanta que ultrapassava o emocional. 
Doía fisicamente. Eu podia jurar que sentia o sangue escorrendo do coração, agora, em pedaços. A alma parecia querer fugir do corpo, que estava tão dolorido. 
Sentia como se tivesse levado uma surra. Não que eu já tivesse levado uma, mas não me recordo de algum dia ter sentido tamanha dor. 
Ainda jogada no chão do banheiro, a água do chuveiro corria pelo meu rosto e se misturava às lágrimas. Eu estava imóvel, completamente estática. Sentia cada parte do meu interior se partir, junto com cada gota de água que se esvaía pelo ralo. 
Era uma dor insuportável. Mas, que como toda dor e como dizia Tati Bernardi: "de tão insuportável, produz anestesia própria."
Era uma tempestade, a pior delas. Porque morava em mim. Não tem como se esconder. Não tem sequer pra onde correr. E dói, muito. 
Mas como toda tempestade, uma hora ela se vai. Me resta esperar. 
Nem que seja aos prantos, no chão gelado de um banheiro.

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