Não dói, mas incomoda.


Não dói, mas incomoda. Lembra quando a gente era criança, e alguém ficava nos cutucando sem parar? Essa era a frase que nos diziam. 
É mais ou menos assim quando a gente percebe que, o sujeito à quem direcionamos o verbo amar, direciona tal verbo à outra pessoa. Espero que tenha me entendido. É aquela sensação de perda, mesmo que não tenha nada a se perder de fato. Você sabe, é aquele clichê, não se pode perder o que nunca teve. 
Mesmo assim, é um dedo na ferida. Essa, que está diretamente no coração. 
A gente sente aquele latejar no fundo do peito a cada cena que se desenrola na nossa frente. 
Eu queria dizer uma coisa para eu mesma, do passado: não caia de amores por alguém que você vai ser obrigada a ver todos os dias. 
Porque uma hora ou outra, você vai sentir esse dedo na ferida. 
Não importa se a paixão é real ou platônica. 
Pessoas são passageiras. Os sentimentos, nem tanto. Por mais que a gente bata o pé e insista que não, um resquício ainda se espreme no fundo do peito. Mesmo que não haja muito o que sentir, ou lembrar. 
É aquela casquinha da ferida que a gente não consegue arrancar. 

Você sabe, não dói. Mas incomoda.

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