A metamorfose e seus medos

Texto feito com base na análise da obra "Metamorfose" de Franz Kafka



A evolução ou a involução do ser humano são constantes. O que fomos ontem, já não é o que somos hoje. O que somos hoje, não é o que seremos amanhã. Talvez involução não seja a palavra correta a ser usada, pois não se é uma decisão própria, o fato de não evoluir. Há uma centena de fatores que nos levam a ficar na inércia da involução: o cansaço, a falta de esperança, objetivos não alcançados, tristezas e decepções.
Não basta nós mesmos termos de conviver com nossas mudanças repentinas. As pessoas ao nosso redor também convivem com as nossas mudanças e com as delas, e nem sempre da maneira mais compreensível. Como alguém que não consegue conviver nem com suas próprias mudanças, conseguirá aceitar as mudanças de outrem?
A mudança assusta. Seja ela da noite para o dia, seja ela de um ano para o outro. Mas, a mudança é necessária. Se ontem nos encaixávamos em determinado lugar, hoje já não nos encaixamos mais. Seja não encaixarmos, não só em uma cama, na qual antes deitávamos perfeitamente, mas até em uma família, na qual antes cabíamos perfeitamente.
O que antes era refúgio, agora virou caos. A mudança foi inevitável, o caos foi uma decisão. É difícil de se conviver com qualquer tipo de mudança, mas o difícil não é impossível. O ser humano é quem cria a falsa realidade do impossível.
Quantas vezes nos sentimos diminuídos em frente aos outros? Quantas vezes nós mesmos nos diminuímos em frente aos outros, ao invés de nos encorajarmos? Quantas vezes nos sentimos dependentes? Quantas vezes sentimos a independência cada vez mais longe e inalcançável? Quantas vezes perdemos o que antes já tivemos ao nosso alcance e tudo desmoronou? Várias.
Ninguém gosta de ser dependente. Gostamos de ter nossa própria independência, mesmo que, muitas vezes, tenhamos a necessidade de depender de outras pessoas. Com isso, inevitavelmente, chega um tempo em que cansamos dessa dependência e cansam de proverem o que precisamos.
O ser humano é constantemente decepcionado, tanto por provocar a decepção em alguém, ou por alguém provocar essa mesma decepção. Não esperamos atitudes e reações, muitas vezes, de pessoas próximas, e nos decepcionamos. Da mesma forma, que elas se decepcionam com as nossas atitudes e reações.
O fato é que não sabemos lidar com emoções, relacionamentos e mudanças, da forma que devíamos saber lidar. Outro fato, também, é que nem todos conseguem sobreviver a tempo de aprender à lidar. Antes de morrer, a esperança já morreu.
Será um ciclo vicioso ou finalmente aprenderemos?

- Amanda Trevisani


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