Ser criança






Balas 
Pirulito
Pirraça  
A brincadeira não acaba 
Não importa o tempo 
Que faça 
Bola
Boneca 
Peão 
No mesmo minuto
Eu era o perdedor
E o campeão 

Bolinho de chuva 
Churros 
Jujuba 
Como era bom o tempo 
Que para levantar de um tombo 
Eu não precisava de ajuda 

Sacudia a poeira 
E corria 
Quando ouvia 
O som da pipoqueira 
Pipa
Bicicleta 
Latinhas 
A preocupação
Com o amanhã 
Eu ainda não tinha 

Por quanto tempo eu dormi?
Parece que quando criança 
Eu sabia bem mais 
Desta terra aqui
Do que hoje
Depois que cresci

Pique-esconde
Queimado 
Carrossel 
E pra garganta melhorar 
Era só tomar 
Limão com mel 
E na ciranda 
Eu era o inocente e o réu

Com um piscar de olhos 
Eu sabia quem era o detetive
O vilão e o delegado 
E hoje não reconheço os amigos
Falsificados
Que estão do meu lado 

Manga com leite 
Menino, nem pensar 
Isso vai te matar!
Mas tudo que a gente queria 
Era experimentar 
Nada a gente temia 
Nem a morte nem a vida 
Viver era melhor do que imaginar 

Hoje queremos a vida abundante 
Buscamos a felicidade constante 
Mas mal sabemos 
Que um dia
Esta já vivemos 

E nessa extrema constância
Ignoramos a abundância 
Do sonhar e do amar 
Sem ter que pagar fiança 
Para aqueles que esqueceram 
O que é brincar 

Desenho animado 
Algodão doce 
Bolo com granulado 
A gente vivia o hoje 
Sem chorar com o passado 

Chuva de confete 
Balão de balas
Apito 
E estrela cadente 
A gente pintava o sete
Com as cores do arco-íris 

Criávamos um mundo 
Com emborrachado 
E depois que chovia 
Dançávamos no molhado 

Bonecos de massinha
Brincávamos de casinha 
E fazíamos desenhos 
Com canetinha 

Bolinha de gude
A gente comia quebra-queixo
E amava o grude
Andávamos de bicicleta
Meio sem jeito
E nos achávamos os reis
Do açude

Sonhos de purpurina 
Sem guerras
Sem brigas 
A gente amava a adrenalina 

O que aconteceu com a geração 
Da fantasia? 
Será que está cega com a política?
Será que prefere se preocupar 
Com o dinheiro?
Será que está distraída 
Querendo ganhar o mundo inteiro?

Eu não posso perder a magia 
De viver dia após dia 
Toda a alegria
Que desde cedo  
Do meu peito irradia 

Quero ser eternamente criança 
E nunca perder 
A esperança 
De viver 
E da verossimilhança 
Fazer questão de esquecer


Texto por: Brígida Gabriela
Foto por: Vanessa Amaral

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