Do quarto para a vida


Recentemente, ela se mudou
Para a casa de seus avós. Enquanto decorava seu quarto, várias vezes pensava: E se minha avó não gostar disso aqui? Será que ela vai deixar eu fazer isso aqui?

Por saber que a casa não era de fato dela, pensou primeiro no respeito. Pois bem, sem pensar por muito mais tempo, decorou o que queria da maneira que queria. Afinal, a casa podia até não ser dela, mas o quarto era.

Um pouco depois, falou para a avó que talvez ela não gostasse do que tinha feito no quarto. A resposta da avó para a neta, foi a mais inesperada: 
O quarto é seu. Eu posso até opinar, mas ele é seu. Se for assim, eu tiro a sua liberdade. Óbvio, se você for colocar um penico na parede, talvez eu fale "olha, isso não é legal não." Mas, o quarto é seu.

E dessa história, veio uma dose de por ques na mente dela.
Por que é que com a vida não podia ser assim?
Por que é que ela não podia fazer o que bem entendesse?
Por que é que não tinha liberdade?
Por que é que não podia ser quem queria ser?
Por que é que tentavam viver a sua vida?

Ela resolveu viver para alcançar este almejo.
"A vida é sua. Eu posso até opinar, mas é sua. Se for assim, eu tiro a sua liberdade. Óbvio, se você for fazer alguma merda, talvez eu fale "olha, isso não é legal não. Mas, a vida é sua.”

Recentemente, ela se mudou.
Para a casa de si mesma.

Por respeito, ela também já deixou de viver. Já hoje, ela sabe que a casa de seu corpo é de ninguém menos que ela. E a vida também.

- Amanda Trevisani

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