Saudade, só saudade.



Aos poucos, todas as mágoas pelo fim do relacionamento estão se esvaindo pelo ralo do esquecimento. A raiva era a sujeira do meu corpo e estar sujo me incomoda. Sentia-me às vezes como um assassino que mata por justiça, mas que depois não consegue viver com as mãos sujas de sangue.
É bom estar limpo de toda essa aberração.

E enquanto eu me esvaio de todo esse sentimento pífio, eu simplesmente começo a sentir saudade, somente saudade.
Percebo o quanto nós perdemos com este rompimento, pois afinal, prometíamos ser uma boa dupla.
I miss you.
I miss you forever.
Hoje só me deu a falta dos momentos mais simples que passamos juntos e que você talvez nem lembre mais. Porém, eu os guardei nessa caixinha da minha alma e só os abri agora.
Contrato meu comigo mesmo de só abrir essa caixa quando estivesse com as mãos limpas. E deu falta.

Deu falta de a gente se encontrar sem marcar no centro.
Deu falta dos nossos beijos escondidos antes do namoro.
Deu falta de você segurando minha mão enquanto seu pai falava.
Deu falta daquela sua risada espontânea.
Deu falta de te ver lá, quietinha e sozinha vendo eu jogar bola.

Há uma certa cultura em que garotos não podem demonstrar essa fraqueza a qual estou me expondo agora. Confesso porém,  que sempre gostei do choque.
E por falar em choque, talvez eu nunca esqueça quando tiramos as camisetas um do outro pela primeira vez.

Você, sempre quis ser atriz.
Eu sempre gostei de filme.
Aliás, dirigi um esse ano e por mais triste que seja, queria muito ter te visto na plateia enquanto eu discursava. Mas não estava.
Aliás, você nunca mais esteve e eu (in)felizmente estou começando a me acostumar com isso.

Hoje me bateu aquela saudade de você. Saudade só. Saudade sem mágoas. Saudade solitária. Saudade silenciosa. Saudade daquelas que apertam o peito. Saudade, só saudade.

Tô quase pegando o telefone e te ligando... oi, tá tudo bem?
E então me pego pensando, que sinto saudade disso também.



Lucas Iensen

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