Lar



Lar. Podemos emprestar a definição do dicionário como "lugar que se habita, onde há convívio familiar". Para diferenciar este de casa, vamos acrescentar a dimensão sentimental, ou seja, lugar de afeto, aconchego.
Onde fica, então, seu lar? Quais as cores das paredes? Quantos andares? É simples ou de luxo?
Meu lar? Ah! Meu lar.

Meu lar é diferente. Tem menos que meus 1,75 de altura mas ainda assim me acolhe por inteiro. Meu lar não tem paredes, mas seus limites me enlaçam de forma singular. O lugar onde meus sentimentos habitam em paz não possui vigas ou colunas, mas possui sólidos alicerces.

Meu lar fica lá, num lugar apertado, e é assim que é bom. Meu lar fica lá, lá no abraço dela. Naqueles braços apertados, naquela mão no meu ombro e braço apoiado no meu peito. Meu lar tem varanda, mas eu a chamo de sorriso. Que varanda linda!
Suas janelas são claras, duas lindas janelas que quase somem no sorriso. Alguns dizem que são apenas olhos.
A porta me seduz, um convite tentador a entrar, entrar rumo a sua alma. Diz ela que é apenas uma boca.
Meu lar é quente, tem calor que palpita no peito dela.

Quão bem aventurado seria este que lhes escreve se pudesse habitar em seu lar. Infelizmente, não sou nem mesmo um pobre locatário; sou apenas um visitante, que mal entra e já precisa sair. Ah! Que sonho seria me mudar para lá, assinar o contrato e ser proprietário por cessão daquele espaço. Apenas meu coração se mudou para lá, mas não sabe até quando alí permanecerá. Ah! Que saudades de envolver meu lar naquilo que eu queria que fosse seu lar.

Ah! Garota, que saudade do teu abraço, de estar em teus braços, onde em simples passos leva consigo meus sentimentos e embaraços.
Que saudades de, prazerosamente, visitar "meu" lar. Que saudades, garota, de em teus braços me achar.



Stephen S. Madeira

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