Amigos para sempre?



Pra mim, seríamos amigos. Apenas amigos. Como já dizia a música: "amigos para sempre é o que nós iremos ser". Não tinha como isso mudar. Nos dávamos bem, assuntos de sobra, tantas semelhanças. Não achava que mudaria. Por que mudaria?
Mas mudou.

Hoje estou aqui, lembrando de você em diversas coisas. Pego um desses panfletos de sinaleiro sobre apartamento a venda e fico pensando se você ia gostar dele, se o tamanho te agradaria, se caberia nossas coisas (ainda que sejamos minimalistas). Imaginei nós dois na cozinha tentando decidir o que fazer para comer e por fim decidir comer fora ou fazendo uma enorme bagunça por brincarmos enquanto tentamos cozinhar algo. 

Me peguei pensando em nós dois sentados no sofá, imersos em uma longa e calma troca de carinho enquanto um filme qualquer passa na TV ignorado por nossas mentes ocupadas com algo muito melhor.

Passo de carro em frente ao lugar onde gostaríamos de trabalhar e fico pensando como seria trabalhar no mesmo lugar que você, vestir o mesmo uniforme ainda que tivéssemos rotinas diferentes pois trabalhamos em áreas diferentes.


Vou aos parques e fico imaginando qual seria sua reação, sua opinião sobre os lugares que acha tão lindo mas que ainda não conheceu. Como será caminhar uma tarde com você ao lado por estes estreitos caminhos entre as árvores? Qual seria a sensação de pegar uma trilha com você pra gente subir um morro e ver a cidade lá de cima?
 

Na noite, fico pensando em como seria ter você ao meu lado, poder sentir o cheiro de lavanda do perfume que passa enquanto aguardo o sono chegar. Fico aqui deitado, olhando pro teto, imerso na vontade de mexer no seu cabelo enquanto engulo a saudade de te ver antes de dormir.

Fico lembrando em como eu, como você diz, "pisava em ovos" nas nossas conversas, e hoje falamos sobre tudo com uma intimidade de uma vida toda. Confesso que ainda acho estranho e por vezes fico perplexo em como chegamos aqui. Conversamos sobre tudo: planos, casamento, uma pousada pra fugir e se divertir, família, domingo juntos. É engraçado como em meia hora de conversa mudávamos, sincronizados, mil vezes de assunto sem nunca nos perder.

Pra mim, seríamos amigos. Felizmente ainda somos, e fomos felizes em escolher não nos limitar a apenas isto. Fomos corajosos, fomos cúmplices. O que somos hoje? O anel no seu dedo responde.





Stephen S. M.

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