Na orquestra da razão e da emoção, o maestro é você

     



     Equilíbrio é uma palavra que até pra falar, se não tiver cuidado, a língua embola. Se pra língua é difícil pronunciar, imagina pro cérebro e pro coração... 

     Encontrar o equilíbrio entre razão e emoção é o sonho da vida de muita gente, no entanto o que as pessoas não sabem é que elas não precisam ser reféns da relação desarmônica entre o coração e a mente delas a vida inteira. Nós não estamos condenados a viver eternamente com o desequilíbrio, porque ao contrário da ideia de "destino", ele pode e deve ser trabalhado, mudado... É claro, se tivermos força de vontade para sair da zona de conforto e lutar contra o maior gigante de nossas vidas: nós mesmos. 

     Minha professora de Psicologia me falou há um tempo atrás sobre aqueles monges que se isolam do mundo e vão para os montes meditar. Ela disse que parou para observar um deles uma vez e viu que ele estava meditando de baixo do sol muito forte com uma roupa escura e com um tecido muito grosso, e o que mais despertou admiração nela foi que o ambiente nada propício para uma meditação não o atrapalhava de forma alguma. E ela chegou a uma conclusão: quando conseguimos dominar a nós mesmos, nada consegue nos roubar de nós. 

     É muito difícil dominar a si mesmo, fazendo o coração e o cérebro dançarem no mesmo ritmo. Eu não consegui esse equilíbrio ainda e não estou nem perto, mas uma coisa eu sei: ele tem a ver com o autoconhecimento. Quando reconhecemos quais são nossos pontos fracos e nossos pontos fortes, podemos escolher qual deles vamos alimentar para nos fortalecermos diante da figura que nos é mais intimidadora: o nosso reflexo. 

     Somos movidos por emoções e muitas vezes nosso coração rege nossas escolhas, mas o coração não consegue fazer ponderações, médias, estatísticas, seleções... Isso é dever da mente. A mente que, por sua vez, não consegue olhar a situação com sensibilidade, com amor, com devoção... Perceberam? Um complementa o outro e juntos formam o trabalho perfeito. 

     É preciso fazer esses dois pararem de se bicar e entenderem que um sem o outro não funciona. Mas antes, quem precisa entender isso somos nós. Nós, que muitas vezes passamos por cima de valores, princípios e bases sólidas em prol de um "afeto" que muitas vezes foi passageiro e só nos fez mal. Nós, que agimos com a razão e perdemos aquela oportunidade única de demonstrar e receber amor porque estávamos fechados para o sentimento mais puro que existe. Nem a falta e nem o excesso são bons, o equilíbrio é o ideal. 

     Eu também estou em processo para atingir o tão sonhado equilíbrio, e acredito que a vida seja um processo infinito em que adquirimos aprendizagem. Mas nessa caminhada, se tem uma coisa que eu compreendi foi que a minha luta não é contra um sentimento, contra atitudes impensadas, contra indisciplina, contra a displicência... Nada disso! Eu entendi que a luta é contra mim mesma e eu só vou vencer naquilo que preciso vencer quando eu entender que tenho o poder para orquestrar todo caos que existe dentro de mim. 

Esse caos que existe no teu interior só irá se transformar em uma bela, harmônica e doce melodia quando entenderes que... O maestro à frente dessa orquestra é VOCÊ! 


- Brígida Gabriela

Share:

0 comentários