Um teto para o meu lar


Oi. Espero que você esteja bem, meu amor.
Sei que você anda muito ocupada, e a saudade de você me pegou de surpresa enquanto trabalhava. Lembra que conversamos esses dias sobre nossa futura casa? Então: me peguei desenhando ela. Sim, comecei a projetar a nossa casinha.

Comecei pelo segundo quarto, pra quando sua mãe viesse nos ver, ou que eu poderia usar como laboratório ou estúdio. Espaçoso, amplo e aconchegante. Deixei uma janela no canto, pra que não entrasse ar frio em cima da cama caso coloquemos uma alí.


Depois fui para o escritório. Fiquei pensando se haveria espaço suficiente para nós dois alí, afinal, eu amaria deixar minha bancada perto da sua, pra de vez em quando ir te dar um abraço por trás pra desestressar. Coloquei apenas uma janela, mas eu deixaria você ficar ao lado dela sem problemas. Até prefiro assim.


Quando achei que ele estava grande o suficiente para nós dois, subi para o quarto de nossa suíte. Não sei dizer o tanto de emoções que me atacaram nesta parte. Pensei em fazer um quarto espaçoso para caber nosso abajur de luz azul e nossa cama king size, pra você poder se esticar toda na cama, como disse, e ainda sobrar um espacinho para mim. 


Aproveitando o embalo, parti para o banheiro da suíte assim que o quarto me satisfez. Obviamente, cuidei para deixar espaço para a nossa banheira. Não tinha te falado sobre isso ainda, mas pensei numa banheira pra gente relaxar depois de um dia de serviço cansativo. Cuidei pra que a banheira fosse suficientemente grande, mas não grande a ponto de ser perigosa pra você (afinal, você é pequenininha, amor). Arandelas espalhadas pelo banheiro iluminariam de forma sutil o ambiente, deixando um clima mais relaxante.
O outro banheiro da casa e o lavabo foram detalhes.


As salas de jantar e de estar, combinadas, foram cenário para minha imaginação nos colocar fazendo um jantar para amigos ou sentados no sofá, na nossa intimidade, dividindo um brigadeiro de panela e vendo algum filme enquanto te faço um cafuné. Ela ficou bem grande, mas achei melhor assim, pra que pudéssemos reunir nossos amigos sem problema.

A área de serviço foi cena pra alguns clichês, como eu te molhando enquanto lavamos alguma coisa juntos. Ficou espaçosa pra que pudéssemos trabalhar ao mesmo tempo.

Do lado dela, a dispensa. Ainda não sei se usaríamos ela ou se poderíamos tirar ela e anexar o espaço ao próximo e último cômodo da lista.

Por fim, o primeiro cômodo que me lembro de ter conversado com você: a cozinha. É óbvio que nosso espírito faminto pensaria nisso primeiro, por isso deixei por último: para dedicar bastante atenção. Pensei em tudo embutido; forno de indução e forno elétrico. Nada com gás para que nossa casa seja segura. Pensei em todos aqueles eletrodomésticos sensacionais que sonhamos em comprar. Deixei espaço pra gente circular livremente, bastante armários pra organizar tudo. Pensei em um balcão americano e obviamente, no que você me disse um dia e que me aqueceu o coração: uma bancada ou uma ilha, tipo casa de filme americano, onde tomaríamos nosso café juntos, enquanto fito em seus olhos agradecendo a Deus pela mulher maravilhosa que ele me deu.


E essa foi a casa que imaginei e desenhei: um lugar amplo mas minimalista para nossas intimidades, um teto para meu lar e nossos sorrisos.

Tive que voltar pra vida real: não temos nossa casa ainda, porém ainda tenho um lar, não para o meu corpo, mas para meu coração. E pra um coração que viveu tanto tempo sem teto, neste lar se sente numa mansão.
Tô doido pra te ligar e dizer "tô te esperando em casa, amor".



Stephen S. M.

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