Repita comigo: a vida dos outros não é um padrão a ser seguido



     Hoje eu vou falar sobre algo que todo mundo faz em relação a si mesmo: comparações. 

     Desde muito novos somos ensinados a fazer comparações. Ouvimos dos nossos pais: "seu irmão é mais estudioso que você", "seu irmão é mais educado", "seu irmão é magro", "seu irmão já está trabalhando", "não sei como eu acertei com ele e errei com você". Essa realidade incentivada em nossa própria casa nos formou seres humanos extremamente comparativos e o pior: sempre nos colocando lá embaixo em relação às outras pessoas. 

     Às vezes entramos na internet e vemos a foto de uma pessoa às três horas da tarde de uma terça-feira na Europa e pensamos: "caramba, a vida dela é maravilhosa, como eu queria ter uma vida assim", ou então vemos a imagem de alguém pedindo ajuda, passando dificuldade financeira ou de saúde, olhamos para nós e nos sentimos bem por não estarmos naquela situação. O estado do outro é sempre o que norteia a nossa visão acerca de nós mesmos. Ao ver alguém na pior, enxergarmos nossa vida bem, mas ao vermos alguém na melhor, enxergamos nossa vida mal.

     E no meio disso tudo, nasce o sentimento de inveja. E a inveja é uma das piores coisas que a gente pode sentir porque não há o que se fazer, pois nós nunca seremos aquela pessoa e nunca teremos a vida dela. E seguiremos sempre mal por causa disso. 

     Nós ficamos tão cegos que esquecemos que aquela pessoa que postou foto na Europa às três horas da tarde de uma terça-feira no Instagram pode não estar vivendo nada daquilo ali, que as pessoas fazem uma viagem de alguns dias e ficam o ano inteiro postando foto, que ela pode estar triste, se sentindo vazia, se sentindo fútil... Ou que até mesmo ela pode estar olhando o seu Instagram e desejando ter a sua vida, o seu trabalho, a sua faculdade...   

     Corriqueiramente vemos alguém que entrou na faculdade mais cedo que nós e nos entristecemos por termos entrado um pouco mais tarde porque precisávamos trabalhar. Já parou para pensar que essa pessoa pode estar desejando o seu emprego? 

     Ou então, lembra daquela pessoa que casou aos 18 anos e fez você se sentir mal por ter 25 e nem estar namorando ainda? Sabia que talvez ela se sinta mal até hoje por ter largado os estudos e pensa que deveria ter esperado um pouco mais? E se eu disser que ela também viu a foto da sua formatura na faculdade e desejou ter aquele diploma em mãos, você acredita? 

     Já vi gente invejar até mesmo o grupo de amigos de outra pessoa. Mas mal sabe que ela construiu aqueles amigos, que ela batalhou por eles, que teve que melhorar muita coisa nela mesma para hoje estar rodeada de amigos. Que teve que vencer timidez, arrogância, avareza, egoísmo... O processo de luta ninguém inveja, mas a vitória, ah... Essa todo mundo quer!  

     E será que a gente queria mesmo ter a vida daquele fulaninho? Será que ele é 100% feliz? Será que ele também não tem problemas na família? Será que ele também não vive se comparando com o irmão? Será que ele não se sente sozinho, vazio, triste, fútil...? Será que aquele feed maravilhoso no Instagram dele não é uma tentativa de ele enganar a si mesmo, de receber alguns elogios, de ver que tem gente desejando a vida dele e por causa disso tentar valorizá-la mais? 

     Pois é. Todo mundo está insatisfeito assim como você. E o fato de sempre achar a grama do vizinho mais verde revela insegurança em nós. Precisamos parar de fazer nossa vida girar ao redor da vida do outro, e fazê-la girar ao redor de si mesma. Tenhamos a nós mesmos como nosso principal padrão de comparação. 


     Tentemos superar a nós mesmos a cada dia, e não o nosso colega. E não a musa fitness do Instagram. E não a modelo milionária que vive na Europa. E não o fisiculturista famoso da TV. 

     Não ache que essas pessoas tiveram sorte. Todas elas batalharam pela realidade que desfrutam hoje. Sorte é o que acontece quando estamos em movimento gastando toda essa energia que temos para invejar o outro, em nós, investindo em nós mesmos e lutando pelo que há de ser nosso. Quando a gente investe em nós mesmos, nós crescemos e amadurecemos. E  quando amadurecemos, nos tornamos pessoas mais seguras e felizes com quem somos e com o que temos. Passamos a nos conhecer e nos amar mais e paramos de nos comparar, de nos rebaixar... Também paramos de querer provocar inveja no outro e passamos a querer provocar inspiração. Porque evoluímos, deixamos de ser aqueles indivíduos  insatisfeitos de antes, e atingimos o que meio mundo está loucamente buscando: a tal da satisfação. 

     A vida de ninguém é melhor do que a de ninguém. Precisamos parar de colocar uma escala de "quem está bem" e de "quem está mal" porque a visão que temos da vida do outro sempre será a mais superficial possível. Não estamos com o outro o tempo todo e não sabemos profundamente como ele vive. Às vezes ele pode ser a pessoa mais triste e frustrada do mundo e nós aqui de fora estamos desejando ter aquela vida para nós, pois estamos vendo só a capa exterior que cobre aquilo tudo. 

     A gente não vê os bastidores da vida de alguém, a gente só vê minutos dela, e minutos que ainda por cima que foram editados. As pessoas só vão compartilhar as coisas boas, fazendo parecer que a vida delas é uma bonança infinita, quando na verdade não é. Não acredite nessa rede de ilusões que a internet cria. Só porque alguém tem mais do que você, não significa que a vida dela seja melhor e a sua pior. Ninguém é melhor ou pior do que ninguém. Todo mundo está vivendo uma guerra que ninguém sabe. 

     Valorize mais quem você é e o que você tem. Pare de seguir no Instagram aquelas pessoas que fazem você se sentir mal e olhar para a sua condição com maus olhos. Afaste-se de tudo que provoca sentimentos ruins em você, inicie uma terapia se for preciso, abra-se com amigos verdadeiros, seja sincero consigo mesmo, reconheça o que precisa ser mudado e mexa-se para ser e ter tudo aquilo que você almeja! Porque se você não correr atrás disso, ninguém irá correr por você. Além da vida ser uma só, ela ainda é muito curta. Curta demais para você perder esse breve tempo apoiando-se em uma realidade paralela à sua. 

     E para fechar essa longa e reflexiva conversa: se você leu este texto significa que você tem um smartphone, um tablet, um notebook ou um computador de mesa. Significa também que você tem acesso à uma rede de internet. Sabia que esses dois fatos já te colocam na frente de MUITA gente aqui no Brasil? Mais precisamente,  de 25,7% da população brasileira, que vive marginalizada sem acesso a praticamente nada que é direito de todo cidadão. E estar à frente de 25% de mais de 207 milhões de pessoas é algo considerável, não é mesmo? Pois é... AGRADEÇA POR ISSO! 


- Brígida Gabriela

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