Você chegou!


Eram mais de cem dias desde que esta contagem iniciou, entretanto, não tardou para que ela se resumisse a dois dígitos. Contávamos pacientemente ansiosos cada longa dezena. Eu mantinha a contagem na tela inicial do meu celular para sempre lembrar do que você me disse. A cada dezena que se findava nós sorríamos e o seu "estou chegando" era cada vez mais real. Enquanto isso, cada vez mais descobríamos coisas um sobre o outro, ou até mesmo sobre nós mesmos quando reparávamos nas nossas inúmeras semelhanças cautelosamente anotadas para que não nos esqueçamos o quão parecidos somos (oi, espelho meu).

Os dias passavam, se arrastavam como se quisessem postergar a melhor parte deles, a noite, quando a contagem diminuía enquanto nos víamos quietos e sorridentes pelo celular.
Quanto mais perto ficava, mais distante parecia. Por que o tempo cisma em desacelerar quando mais queremos que ele voe?
E falando em voar, você ia voar. Eu já sabia melhor do que você os dados do seu vôo.

Faltando um mês, percebemos que em quinze dias faltariam apenas quinze, e dentro de quinze dias, faltariam apenas quinze. Até que enfim, nossa última dezena de dias. Em breve a contagem se resumiria às horas restantes. Enquanto isso, você arrumava suas malas, tentava colocar o máximo de coisas para conseguir sobreviver aqui. Fazia sua lista e conferia pra ter certeza de que não esquecera de nada.

E de repente já não era mais sobre quantos dias faltavam, mas sobre quantas horas. A impaciência já tomara conta de mim enquanto eu me arrumava pra ir te buscar. Você tinha mandado mensagem avisando que havia embarcado no avião: você estava finalmente vindo.
Embora eu ame admirar os aviões na pista e no pátio, eu estava olhando impacientemente para a tela do aeroporto e do celular tentando acompanhar o status do seu voo. Eu queria saber exatamente qual era a aeronave na que você viria, já tinha decorado a matrícula dela. Minha vontade era de invadir a sala do controle e observar cada atualização de posição, cada fonia e pedir para a tripulação te anunciar que eu estava lá, aguardando sua chegada.


De repente lá estava ela com você dentro. Eu estava suando, mas não era de calor. Eu sabia que desceria um andar do aeroporto e dentro de alguns minutos, aquela porta abriria e você estaria ali. Tudo que sempre sonhamos e tanto falamos finalmente aconteceu. A porta se abriu, e você ali estava. Um abraço consolidava nossas expectativas. Até que enfim, em um abraço pude te olhar nos olhos e exclamar após um longo suspiro: "você chegou!".


Stephen S. M.

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