Contradições


Confesso: nunca fui fã de contradições, ainda mais vindas de minha parte. Nunca as admirei, até agora. Hoje, eu só queria me contradizer.


Queria ser como o inverno que te congela no tempo. Mas queria ser como o verão que te queima.
Queria ser como o fogo que começa o teu incêndio. Mas queria ser como a chuva que o apaga. 
Queria ser como a água que mata a tua sede. Mas queria ser como o deserto que te deixa a desejá-la.
Queria ser como a luz que te acende. Mas queria ser como a escuridão que te cega.
Queria ser como o cigarro que põe entre os lábios. Mas queria ser como a nicotina que te mata.

O fato é que todas as situações dependem umas das outras. Nossa história não seria diferente, afinal, assim como eu preciso do teu caos, você precisa da minha calmaria.

O inverno congela, o verão queima.
A água é fundamental para a sobrevivência no deserto.
A luz ilumina a escuridão.
A nicotina presente em um cigarro pode levar a morte.

Eu que insisto em não fumar, hoje queria te tragar e respirar a fumaça de teus desejos.

Nós sabemos dos riscos. Sabemos que o cigarro pode matar e sabemos que pular de uma ponte também.

Hoje, nós pulamos de uma ponte com uma das mãos entrelaçadas e a outra com um cigarro entre os dedos. Nós sabemos o que poderia vir a acontecer, mas encaramos e assumimos os riscos.

Hoje, nós nos contradissemos. 
Mas falamos a mesma língua.

- Amanda Trevisani

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